volta para a index
Machado de Assis
Contos
Crônicas
Romances
Teatro
Poemas
Crítica
Os textos aqui disponíveis foram coletados do site do Nupill

Memórias Póstumas de Brás Cubas

CAPÍTULO LXIX / UM GRÃO DE SANDICE

ESTE CASO faz-me lembrar um doudo que conheci. Chamava-se Romualdo e dizia ser Tamerlão. Era a sua grande e única mania, e tinha uma curiosa maneira de a explicar.

--Eu sou o ilustre Tamerlão, dizia ele. Outrora fui Romualdo, mas adoeci, e tomei tanto tártaro, tanto tártaro, tanto tártaro, e até rei dos Tártaros. O tártaro tem a virtude de fazer tártaros.

Pobre Romualdo! A gente ria da resposta, mas é provável que o leitor não se ria, e com razão; eu não lhe acho graça nenhuma. Ouvida, tinha algum chiste; mas assim contada, no papel, e a propósito de um vergalho recebido e transferido, força é confessar que é muito melhor voltar à casinha da Gamboa; deixemos os Romualdos e Prudêncios.

Anterior - Próximo