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Plínio Marcos de Barros nasceu em Santos/SP no dia 29 de setembro de 1935. Depois de passar por diversas profissões (aprendiz de encanador, funileiro, vendedor de livors espírita, estivador, etc) ingressa num circo atuando como palhaço, humorista e dirigindo alguns shows. Em 1953 percorria o interior paulista com a Cia Santista de Teatro de Variedades.

Em 1958 começa a trabalhar como ator de teatro na companhia da Patrícia Galvão, a Pagu. No mesmo ano escreve sua primeira peça: Barrela. A peça foi inspirada numa notícia de jornal que relatava o caso de um garoto que havia sido currado na prisão e, depois que foi solto, matou os estrupadores. A peça foi censurada por ser considerada pornográfica. O texto foi liberado para uma apresentação no dia 1º de novembro de 1959, no palco do Centro Português de Santos, e depois ficou proibido pela Censura Federal por vinte e um anos.

Sua peça seguinte, Os Fantoches, foi um fiasco. No dia seguinte ao da apresentação, a Pagu, que na época fazia crítica teatral para o jornal A Tribuna de Santos, colocou uma foto do Plínio Marcos com a manchete 'Esse analfabeto esperava outro milagre de circo'.

Mudou-se para São Paulo no ano de 1960. Para se manter, trabalhava como camelô. Nessa época trabalhou na Companhia de teatro da Jane Hegenberg e depois foi aprovado para entrar na Companhia Cacilda Becker. Chegou a trabalhar em duas peças ao mesmo tempo: fazia o primeiro ato de César e Cleópatra, na Companhia da cacilda, e entrava em O Noviço, no Teatro Arena, no último ato. Em 63 começa a escrever para o programa TV de Vanguarda, da TV Tupi.

Em 65, Plínio, juntamente com um grupo de teatro que estava começando, tentou encenar Reportagem de um Tempo Mau no Teatro de Arena. A censura proibiu. Nessa época tentou também encenar a peça Jornada de um Imbecil até o Entendimento, que também foi censurada.

Depois disso escreveu Dois Perdidos em uma Noite Suja inspirada no conto O Terror de Roma, de Moravia. A peça estreou no Ponto de Encontro, um bar da Galeria metrópole. Cinco pessoas assistiram á estréia: a Walderez, o Carlos Murtinho, a mulher do Ademir, um bêbado, que não quis sair porque aquilo lá era um bar, e o Roberto Freire. A Cacilda Becker, quando viu a peça, comentou: Incrível! Você conhece dez palavras e dez palavrões, e escreveu uma peça genial. Nessa mesma época apareceram as peças Navalha na Carne, Quando as Máquinas Param e Homens de Papel. Segundo o próprio Plínio Marcos, "Dois Perdidos foi liberada porque naqueles dias a Censura passou da Polícia Estadual para Federal. E mudaram os censores. Mandaram o Coelho Neto assistir ao ensaio. Homem de teatro, diretor de peças. Foi da comissão julgadora do Festival de Santos, quando a Barrela se consagrou. Numa tarde de sábado, chuvosa e fria, num estúdio abandonado da Tupi, sem cenário, eu e o Ademir, sentados em bancos velhos, falamos o texto pra ele. Quando acabamos, ele liberou o texto sem cortes."

A peça Navalha na Carne foi mais difícil de ser liberada. A peça já estava sendo ensaiada quando veio a proibição da censura. A peça só foi leberada depois de "uma batalha imensa que começou com uma apresentação na casa de Cacilda Becker". Começou então uma campanha nacional pela liberação da peça.

Durante os últimos anos da década de 60 e os primeiros da década de 70, Plínio Marcos foi preso duas vezes e detido para interrogatório em diversas ocasiões. Nessa época todas as suas peças estavam censuradas. Mesmo Dois Perdidos Numa Noite Suja e Navalha na Carne, que já haviam sido apresentadas em diversas regiões do país, foram interditadas em todo o território nacional.

"Eu, há dezessete anos, sou um dramaturgo. Há dezessete anos pago o preço de nunca escrever para agradar os poderosos. Há dezessete anos tenho minha peça de estréia [Barrela] proibida. A solidão, a miséria, nada me abateu, nem me desviou do meu caminho de crítico da sociedade, de repórter incômodo e até provocador. Eu estou no campo. Não corro. Não saio. E pago qualquer preço pela pátria do meu povo." (1973)

Por não poder encenar suas peças, Plínio começa a escrever obras não-teatrais. O Querô, romance publicado em 1976, ganhou o Prêmio APCA de melhor romance desse ano. Dentro da Noite e A Barra do Catimbó, eram novelas escritas para a televisão que foram proibidas. Nas Quebradas do Mundaréu é uma coletânea das suas colunas escritas para o jornal Última Hora.

A peça O Abajur Lilás, escrita em 69, seria liberada da censura no ano de 1975. Nesse ano iniciaram-se os ensaios da peça com Lima Duarte, Walderez de Barros, Cacilda Lanuza, Ariclê Perez no elenco. Estava tudo pronto (cenário, figurino, iluminação) e a censura proibiu.

No dizer de Ilka Maria Zanotto, "As circunstâncias fizeram de O Abajur Lilás mais do que uma simples peça, uma bandeira." A classe teatral organizou várias manifestações de protesto contra a censura da peça, e grande parte das companhias teatrais não trabalhou, na quinta-feira, dia 15 de maio de 1975, data da proibição da peça. E durante as semanas seguintes, era lido um manifesto contra a censura, em todos os teatros, antes do início dos espetáculos. O advogado Iberê Bandeira de Melo, amigo de infância de Plínio Marcos, entrou com um recurso contra a Censura. O próprio Ministro da Justiça, Armando Falcão, reiterou a proibição da peça, sob a alegação de que ela atentava contra a moral e os bons costumes. O Dr. Iberê e Plínio Marcos continuaram com a luta e foram, de instância em instância, até chegarem ao Supremo Tribunal Federal.

Em 1978 a Polícia Federal determina o recolhimento do livro "Abajur Lilás". Uma ano depois, as peças Barrela e O Abajur Lilás foram liberadas pela Censura Federal.

A partir da década de 80, intensifica uma atividade que já vinha exercendo: fazer debates e palestras em faculdades e universidades, teatros, clubes e, até, em praça pública, não só na cidade de São Paulo, mas em inúmeras cidades do interior do mesmo Estado e do Brasil todo.

Em 1984, estréia um espetáculo-solo no Teatro Eugênio Kusnet (ex-Arena): O Palhaço Repete seu Discurso, com o qual também se apresentaria em inúmeras cidades. Por muitos anos continuou fazendo palestras-shows para estudantes, muitas vezes acompanhado de seu filho Léo Lama, como num espetáculo que fizeram, em 1993: 40 Anos de Luta.

No começo da década de 90, criou um curso: O Uso Mágico da Palavra. E dava oficinas em vários lugares, continuando com sua tradição de mambembeiro e camelô, porque nunca deixou de vender seus livros.

Em 1985 é internado no Incor por causa de um infarto. Nesse mesmo ano ganha os prêmios Molière e Mambembe por "Madame Blavatsky".

Em 1993 ganha o Prêmio Shell por "Querô, uma Reportagem Maldita".

Em 1998 recebe o título de Cidadão Emérito da Câmara Municipal de Santos.

Plínio Marcos morreu no dia 19 de novembro de 1999, depois de uma internação de 27 dias no Instituto do Coração, em São Paulo.